quarta-feira, março 20

Na Beira do Mar


Raul Luar decidiu um dia sair
E ver o mar.
Fez mala, comprou passagem
E foi viajar.

Olhando pela janela,
Olhando toda a paisagem,
Só conseguia pensar nela
E sonhou em toda viagem.

À noite, as estrelas brilhavam no céu.
Raul Luar, encantando vendo a cena,
Tirou o chapéu.

Não levou papel, nem fez poesia.
Quieto em meditação
Conseguiu o que queria.

Raul Luar


terça-feira, março 19

A Velha História da Morte


Estava um persa rico e poderoso passeando, certa vez, pelo parque de sua casa, em companhia de seu criado. Este se põe a lamentar que acabou de ver a morte ameaçando levá-lo. O criado implora a seu amo que lhe dê o cavalo mais rápido para se por, imediatamente, a caminho e fugir rumo a Teerã, onde ele queria chegar naquela mesma noite. O amo lhe dá o cavalo, e o criado parte a galope. Caminhando de volta para casa, o próprio amo se depara com a morte e passa a interrogá-la:
- Por que assustaste meu criado desta forma, por que o ameaçaste?
 Responde-lhe a morte:
- Ora, não o ameacei! Nem quis assustá-lo. Apenas me admirei, surpresa com o fato de vê-lo aqui, pois devo encontrá-lo em Teerã ainda hoje à noite!

Viktor E. Frankl
 Em Busca de Sentido
 Ed. Vozes & Ed. Sinodal
2010

sexta-feira, março 15

O Mendigo que Comeu Coração


Lembro até hoje da noite em que virei motivo de piada.
E até hoje ainda sou...
Aquele momento em que um somatório de ações acaba gerando risadas de pessoas que se divertiram com a situação.
Aquele momento em que é lembrado todo tempo que nos reencontramos...
Às vezes, até terceiros chegam pra ti e falam:
“Ei, cara, o fulano disse para tu combinar com ele de saírem para comerem um coraçãozinho.”
Sacanagem... Só que sacanagem é outra coisa.
Às vezes, não há situação melhor que um bom palavrão não possa descrever. Mas isso é outra história...

Um dia, há, talvez, uns quatro anos atrás, três grandes amigos se encontraram: um poeta, um maluco por aventuras e um que consegue falar a mesma língua que eles. Somos iguais, entende? Mesmo com nossas diferenças. Rimos das mesmas piadas e gostamos das mesmas bebidas. Chegamos ao bar pelas 19 horas e já começamos com os trabalhos. Meio timidamente, mas depois, naturalmente. Drinks novos e papos velhos.
Surge a fome.
Mata-se a sede.
Chama-se o Garçom.
“Uma porção de coraçãozinhos, por favor.”
Está montado o palco...
Palitos de dente solitários e finos com um pouco de gordura da comida.
Copos suados.
Mesa suja.
Pessoas conversando.
Histórias.

Aí, como se não fosse surpresa, surge um cara estranho.
Eles nos perseguem. Acho que tinha sido o quarto daquele dia...
Educadamente nos saúda e alega não querer moeda.
“O que há de bom?” – nos pergunta.
Silêncio constrangedor.
Temos tudo e ele não tem nada.
Dura realidade. Mas é a realidade.
Começamos a nos coçar. Não temos moeda pra dar, mas temos uma mesa farta de comida.
Pergunto se ele aceita.
“Claro, vou pegar uma cadeira.” – e ri.
Pedinte cadeirante...
“Só não vou beber, pois estou dirigindo.” – outra risada.
Rimos também, com um pouco de timidez e tristeza.
Oferecemos o coraçãozinho. Ele mostra as mãos sujas.
Olho pro palito de dente e pro coraçãozinho e pra mão dele e pros meus amigos.
“Aqui, cidadão, deixa eu te ajudar.”
Faço uma concha com a outra mão e dou na boca dele.
“O que acha?” – pergunto.
Ele gostou. Pediu mais. E mais outra vez, dei de comer na boca do pedinte cadeirante.
Ele agradeceu a bondade.
“Obrigado, senhores. E Lembrem-se: para curar amor platônico, só mesmo uma trepada homérica.”
E sumiu como o Mestre dos Magos.

Os dois me olharam e começaram a rir.
“Só tu mesmo” diziam.
Talvez, a bebida faça as pessoas serem melhores ou a própria bondade haja nessa nossa natureza confusa que, por não sabermos, acabamos por quebrar as correntes que nos escravizam e agimos da melhor maneira possível. Foda-se o que os outros vão pensar.

Até chegar uma mulher.
Loira.
De vestido preto e meia-calça preta.
Com amigas.
E ela conhece um dos três amigos que estão a quatro horas bebendo e dando comida na boca de mendigos.
Convidam para irmos a uma festa.
Apresentações desanimadas e a cerveja ficando quente.
“Quanto é a entrada?” – pergunto.
“Doze reais” – responde a mulher.
“BAH! Eu não entro. Podem ir vocês, mas eu to fora.”
Olhar de desprezo dela:
“Ah, para, como se vocês não tivessem gastado muito mais... Vai ta super boa e melhor que isso.”
“Nós estamos desde as sete horas aqui. Tu vai pagar pra nós?”
Boa.
Muito bem.
Parabéns, rapaz.
Dá comida na boca de um mendigo cadeirante e é grosso com uma bela mulher. É muito bonito isso. Muito cavalheiro. Orgulho do pai e da mãe.
“Cara, como é que tu me faz isso?” e perguntas desse tipo surgiram da boca dos meus amigos.
“Deixa eu te entender... Não! Deixa eu tentar te entender... Tu é educado e dá comida na boquinha do marginal, mas é um troglodita com uma mulher daquelas?”
“Foda-se isso e a tua argumentação.”
Todos riem e eu fico sério.
Aquele cara não tinha o que ela tinha, mas pelo menos era bem humorado e gentil. Foi parceiro em ver a beleza da simplicidade de uma roda de amigos, cerveja e coraçãozinhos em cima de folhas de alface murchas. Ele não andava. E fazia piada disso! Tá certo que ele não cheirava a Victoria Secret’s, mas não era lá tão ruim assim... O homem era higiênico! Tanto é que eu tive que alcançar a comida para ele. Agora, elas não. Não! Ofenderam um belo momento entre amigos. Chamaram de “isso” toda a maravilha do universo.
E até hoje, quando nos reunimos como os tios do poker do sábado à noite, lembramos dessa cena.

E o cara ainda ta lá. Em Downtown. Às vezes, encontro ele e lembro-me dos coraçõezinhos.
Obviamente, ele não se lembra de mim.

Anawate e Boenavides, temos que "pepetir".

Matheus I. Mazzochi

quinta-feira, março 14

Trote


Hoje passei por um bixo de Engenharia Civil.
Ele parou
Me viu
E disse:
“Tio,
Tem uma moeda, aí?”

Tem uma moeda, aí, tio?
Uma moeda,
Aí,
Tio.

Tio?
O tio não tem uma moeda, não.
O tio tem lembranças de quando era ele quem passou no vestibular.
De quando sua família comemorou.
De quando seu pai chorou após fazer as contas de quanto ele economizaria.
O tio tem lembranças e histórias.
Como todo tio tem no domingo de churrasco.

O tio tem 21 anos e pelos na cara que o fazem parecer um tio.
O tio é estudante, ou seja,
O tio não tem a porra da moeda.

Matheus I. Mazzochi

terça-feira, março 12

Messias e a Natureza Humana

Nas férias desse ano fui para a praia e lá vi algo muito interessante.
Messias e a Natureza Humana.
Messias era um cachorro branco, peludo, sujo, que vivia na rua. Os vizinhos davam restos de comida para ele e assim o cão continuava a rondar pela área. Nós também fazíamos isso. Quando sobrava a comida de dias atrás, já cansados pelo asiático"soborô", colocávamos em um pote e deixávamos perto dele.
Não conseguia aguentar a dor de colocar comida no lixo. É pecado... Ou pelo menos deveria de ser.

O nome era Messias, pois quando o vi pela primeira vez ele estava deitado em um terreno baldio com moscas ao redor. Logo me veio à mente: "Pobre cachorro, está morrendo..." e outros pensamentos existenciais sobre a vida e sobre a morte. Agora penso por que pensei em "pobre" cachorro. Talvez tenha sido bom para ele. Talvez seja bom. O que há de pobre em morrer, afinal? Bem... Eis que, no outro dia, o cão aparece caminhando pela rua a passos firmes com olhar determinado. Agora, tinha outro cachorro, preto de pelo curto, magrinho, o seguindo. "Olha só... Ressuscitou e já tem seguidores." pensei quando o vi.
Daí Messias...

Só que como todo escolhido ou como todo messias, Messias tinha rivais.
Não podia chegar perto o bastante da rua, pois os outros cães dos vizinhos iam logo latindo. Alguns chegavam a avançar nele. Certo dia, escutei duas vizinhas gritando para ele fugir, pois havia começando uma briga com outro cão. Messias era foda. Tinha personalidade. Se eu morasse naquela casa, não veraneasse, eu iria adotá-lo. Ou talvez, faria comida em excesso para alimentá-lo e o deixar livre. Era por isso que ele era foda: ele era livre. E ressuscitava, claro, às vezes.

Até que teve um dia em que o vi com a Natureza Humana.
Eu estava na rede, na varanda do segundo andar, observando os pássaros, o mar na frente e todo o ano de 2013 que iria chegar. Aí escutei latidos. "Messias" pensei. Pulei da rede e fui me escorar no parapeito da varanda.

Lá. Beeeeem lá! Do outro lado da rua. Bem onde o chão toca o céu. No encontro entre os eixos dimensionais que fazem a rua ficar menor no horizonte, naquele ponto focal, vinha uma pinta branca e outra preta o seguindo. Era Messias e o seu seguidor.

Cornetas desafinadas e o dedilhado de violão com castanholas batendo a lá Ennio Morricone soaram em minha mente:



Aquela visão gaseificada do calor emanando do chão ao céu dava um ar de miragem dos cães. Enquanto ele se aproximava, determinado, seguro, confiante e certo de sua ação, olhei para os cães dos vizinhos: estavam fazendo o mesmo que eu, olhando para Messias. Estava parados como estátuas, de orelhas levantadas e atenção redobrada. Nem o piar dos pássaros fazia com que eles tirassem o foco do que estava por vir.
Era uma invasão. Era o retorno daquele que fora expulso do seu território no passado. Entre olhares dos cães a Messias, de Messias aos cães, eu estava entendendo o que estava acontecendo (ou o que iria acontecer): uma disputa de território, um duelo de poder, uma afronta à qualquer representação de poder, uma transgressão, o bom e velho bang-bang dos western-spaghetti do Sergio Leone, Clint Eastwood, Lee Van Cleff e Charles Bronson.

Ainda ao som das cornetas e do violão da cena final de "The Good, The Bad and The Ugly", Messias e seu fiel companheiro, do horizonte, aumentavam de tamanho. O salsichinha que fora o primeiro a ver o que iria acontecer latiu silenciosamente como se estivesse proferindo palavras de espanto: não pode ser. Sim! Aposto que aquele latido era exatamente isso. "Não pode ser...". outro que estava dormindo na entrada da porta levantou as orelhas, acordou e olhou pro seu amigo, foi até a rua e viu a cena. Latiu também. Chamou mais três. Eram cinco contra dois... Os cães estavam preparados. Sérios, nervosos. Sabiam do seu destino.

Messias parou a três casas da casa deles. E ficou encarando-os... Deus! Que cachorro! E eu ali não acreditando no que estava vendo. Não podia tirar foto nem gravar, pois a câmera estava no quarto e eu não queria perder nada. Fiquei em silêncio e observei o que se sucedeu:

Depois de uns minutos trocando olhares, o salsichinha avançou um pouco e começou a latir. A imagem lembrava o líder do pelotão animando os colegas e preparando-os para a batalha, temeroso do que fosse ficar sozinho e abandonado. Messias firme e imponente. Parecia um deus. Naquele momento entendi o que Bukowski quis dizer com "parece ter mais poder do que dez mil deuses", em seu poema "cão". A cena era para se fechar as portas e janelas, por as crianças para dentro da casa e de se deixar acontecer o que não se pode controlar e impedir que irá acontecer.

Messias avançou.

Seu companheiro ficou para trás garantindo a retaguarda.

Os outros cães começaram a latir para ele, mas sem avançar.

Messias continuava.

Agora eram duas casas que o separava dos outros.

Latidos.

Muitos latidos.

E  Messias firme.

Uma casa.

Os cães recuaram um pouco, mas continuavam a latir.

Messias sabia que cão que morde, não ladra.

Ele chegou na casa, passou pelo muro, invadiu o terreno e chegou na única árvore do pátio.

Os outros recuaram para a rua e ficavam latindo. Agora não era latido de bravura, de coragem, de "Vamos à luta e à morte, companheiros". Não! Era de piedade, de clemência, de derrota e covardia.

Messias levantou a sua perna e urinou na árvore. Marcou território. Levantou a Bandeira. Depôs o poder vigente. Virou lenda, rei e deus em um só momento. O dono da casa, escutando a gritaria, saiu da casa e viu a cena. Pegou o chinelo e atirou em Messias. Magicamente, como se tivesse batido em uma áurea divina, o chinelo desviou e não acertou. Caiu antes de chegar no cão. Perdera a força.

Messias saiu do terreno, calmamente, com um sorriso de vitória e a língua de fora, passou por entre os cães que bradavam insultos inúteis e pedidos de revanche, calmamente. Ele passou por ENTRE eles, não do lado. Ele desmembrou a formação. O Aquiles, desbaratador de exércitos, canino. Eram cinco contra um nessa hora e o um dividiu dois prum lado, três para outro. E seguiu até onde seu fiel amigo, o qual ficara parado no mesmo lugar, SENTADO, estava.

Até a Natureza transgride e briga pelo seu território.

Certo que na noite anterior, Messias e seu companheiro tramaram tudo.

"Amanhã, quando sol estiver no centro do céu, iremos mostrar quem manda." - deve ter dito Messias antes de dormir.

Sergio Leone que me desculpe, mas aquele sim foi o melhor duelo que eu já vi.


Matheus I. Mazzochi




segunda-feira, março 11

O Polêmico Dr. Ando na Linha

- Então, o que te trás aqui? - pergunta o psicólogo.
- O táxi. - responde, seria e desafiadoramente, o paciente jovem.
Pausa e silêncio profundo.
- Quanto custou a corrida?
Nenhuma resposta do jovem
- Sabe, às vezes eu pego um táxi.
Pausa.
- É, às vezes eu pego um táxi. Gosto de sentar ao lado do motorista e ficar conversando com ele. Mais escutando do que conversando, se é que tu me entende....(risos). O mais difícil é começar uma conversa. Geralmente pensamos nos clichês: " Tá bom o tempo hoje, não é?", "Muito movimento na cidade?", "Será que o Grêmio ganha dessa vez?" essas coisas que parecem ser forçadas, mas são tentativas de se começar uma conversa civilizada.
Outra vez, nenhum comentário do paciente. O menino continuava fitando-o quase sem piscar.
- Não? Olha... Eu não faço ideia do que tu tem para me dizer ou do que te obrigaram a vir aqui falar para mim, mas arrisco em dizer que estou curioso em saber e quero muito ouvir.
- Não quer não. - respondeu timidamente o jovem.
- Tá me chamando de mentiroso?
- Por que tu iria querer me escutar?
- Teria motivo para eu não querer? - levantou a sombracelha ao jovem.
A resposta foi uma cara emburrada. O menino apertou os olhos mais ainda.
- Meus pais acham que eu não vou bem na aula.
- Então seus pais acham que tu não vai bem na aula?
- É... Foi o que eu falei...
-M-hm.
Silêncio.
- E o que tu achas?
- Que eles estão errados.
- Boa defesa.
Silêncio.
- Qual a tua matéria preferida? - perguntou em tom amigável.
- Educação Física. - respondeu o paciente em tom amigável.
- É uma boa matéria. Eu gostava de matemática.
- Como tu gostava de matemática e tá aqui? Deveria estar fazendo engenharia ou computação ou coisas do tipo. - questionou o menino
- É pra tu ver como as coisas são. A vida é engraçada.
- Não achei engraçado.
- Quer saber o que não é engraçado?
- Quero.
- Fedelhos mimados como tu mentindo descaradamente pra mim, enquanto o pai torra a grana nessas sessões.
O menino faz uma careta e não consegue responder nada.
- Sabe por que eu tenho um copo de água aqui na mesa?
- Não.
- É pra me ajudar a engolir essas besteiras, caralho. Tu tá estudando ou não?
- Tu vai contar pra ele? - perguntou o menino.
- Não.
- Mesmo?
- É,é,é... Não posso contar. A Ética e essas coisas, sabe?

Matheus I. Mazzochi



sexta-feira, fevereiro 22

As Incríveis Histórias da Odisseia Kung Fu - Parte II


           Então estava decidido: ele iria começar uma jornada aos confins da mente e da alma humana em busca de se conhecer melhor e de conviver melhor consigo mesmo. Ele ia praticar o Kung Fu. Porém, especialmente para ele, o Kung Fu só era Kung Fu pelas séries televisivas. Aquela clássica história do rapaz mauricinho da cidade grande que pouco sabe sobre a arte e sobre a filosofia e logo quer usá-la. Exatamente: usá-la. Para bater em outras pessoas, claro. Mal sabia ele que é assim que ele irá apanhar. Falando de uma forma Kung Fu.
              Pegou suas coisas. Juntou tudo o que podia. Achou quinquilharias embaixo da cama que nem sabia que existiam. Esquecidas pelo passado. Esquecidas pelo pó no qual ele dormia. Abriu o armário, coçou o cabelo, mordeu o lábio:

                - O que levar...? – sussurrou para ele mesmo.

              Livros na estante, caderno para fazer notas, sapatos, gravatas, chinelo de dedo. Tanta coisa para levar em tão pouco espaço. Incerteza. Dúvida. Mudanças geram isso. Ou arrumar a mala. Geralmente se arruma a mala em alguma mudança e algumas mudanças nos fazem arrumar a mala. O china continuava sério de olhos fechados. Talvez estivesse olhando para ele, mas de uma forma tão poderosa que não podia ser real. Ele estava de olhos fechados. Digo, quem consegue olhar para uma pessoa sem abrir os olhos? Talvez ele estivesse sentindo ele. Sim. O china estava sentindo a presença dele no mesmo cômodo, convivendo com sua insegurança e sua dúvida numa completa simbiose. Um só em dois corpos. Talvez seja essa umas das ideias do Kung Fu.

                Depois de muito esperar pacientemente, o china interrompeu a bagunça mental do seu amigo:

                - Leve apenas o que precisares – disse ele na mesma posição meditativa na cama.

                - Mas como eu sei o que eu irei precisar num lugar onde não conheço e nunca fui?

                - O que conseguires carregar consigo será o necessário.

                Parecia uma boa resposta. Daquelas profundas dos livros e dos filmes, porém não fazia o maior sentido para ele. Pensou mais um pouco (desde que o chinês batera em sua porta, ele andava pensando além de sua cota normal diária). Decidiu só levar suas roupas.

                - O resto eu consigo no meio do caminho – disse após terminar de fechar a mala.

                O chinês abriu um leve sorriso.

                - Então vamos.


Matheus I. Mazzochi