Cinco operários trabalham sob o sol.
Sob o sol ácido.
Levantam suas pás com força.
Com força e com tristeza.
Todos os que passam não os notam.
Trabalham embaixo da rampa de entrada.
Perfurando a terra, cavando lápides
Que ninguém os elogiarás.
Serão esquecidos.
Ninguém lembrará.
Só são lembrados quando algo dá errado.
São meros operários.
Meros operários que suam por alguém.
São meros operários
Abaixo do ninguém.
Trabalham escondidos,
Trabalham esquecidos,
Trabalham como se dessem a vida,
Trabalham esperando a hora da saída.
Operários suados, cansados.
São bons empregados.
Bons porque trabalham calados.
Não reclamam, nem mesmo quando estão abalados.
Sua pele queimada contém cada som de sofrimento.
Pele grossa como o couro.
Trabalham no tormento.
Animais fortes como o touro.
Onde está o reconhecimento?
Erguem prédios que seus chefes irão se exibir.
[Como se fossem eles que tivessem construído].
Receberão aplausos, darão sorrisos.
E os operários?
Pobres e esquecidos,
Ficarão no anonimato,
De cabeças baixas,
Acolhidos.
Acolhidos uns pelos outros.
Uma irmandade filosófica diante de nossos olhos
Nossos olhos que não os vêem
Não vêem nada.
Só quem tem.
De que adianta ter e não saber usar?
De que adianta ter sem saber aproveitar?
De que adianta ter sabendo que os operários,
Honestos trabalhadores,
Trabalham com dores?
[Daí seus nomes:
Pedro, Paulo, Raul, José e Flores.]
* Singela homenagem aos operários da UFCSPA.
Matheus I. Mazzochi
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