Silêncio.
Ouça.
.
..
...
Teus pensamentos falam.
Escute-os. Sinta-os.
O que dizem? O que sussurram? O que querem?
Ouça.
Deixe-os se manifestarem.
A folha em branco.
A Rima. A Rima.
A Borracha.
É ela quem apaga e faz ressurgir a folha em branco.
Uma nova chance. Um recomeço.
A oportunidade de apagar e de esquecer o que se fez.
Ou o que se quer esquecer.
Mas vire a página.
O que vês?
Outra folha em branco.
Nova fase.
É a vida.
*
No que o Pensador pensa? Será que ele sabe?
E se quando achar a resposta, ele se levantar e sair do museu?
O Pensador é uma pedra que se movimenta em pensamentos.
Vou perguntar para ele o que sou. Sim! Perguntarei a uma pedra o que sou.
E quando ela responder, deixarei de ser eu mesmo
E tornar-me-ei algo que não será mais eu.
É a vida.
*
Ouça!
Já deixou teus pensamentos tomarem conta de ti?
Possuírem-te? Puxarem-te às profundezas do mar como as almas mortas puxaram os herois gregos no mar de Aqueronte?
Um pássaro agoniza lá longe em algum lugar.
Olho para o céu e vejo as Três Marias formarem a base de uma pirâmide.
É uma loucura.
O silêncio da noite faz isso.
Poder ser perigoso
Ou não.
É a vida.
*
Cadê a borracha?
No Silêncio da Noite, Porto Alegre,
27 de Novembro de 2012
01h31min
"Quero antes o lirismo dos loucos, o lirismo dos bêbados, o lirismo difícil e pungente dos bêbados. O lirismo dos clowns de Shakespeare. - Não quero mais saber do lirismo que não é libertação." - Poética - Manuel Bandeira
quinta-feira, janeiro 3
sábado, dezembro 22
Fanático
Ele era um colorado fanático.
Sabia de cor a escalação de seu
time, sabia os anos dos títulos nacionais e internacionais que foram
conquistados, sabia a vida íntima dos jogadores e do técnico, conseguia ter
mais argumentos que qualquer gremista sobre futebol e, principalmente, sobre o Gre-Nal.
Pode parecer impossível, mas ele conseguia convencer o mais fanático tricolor a
vestir a camiseta nove do Inter. Era humilde e um piadista nato. Gostava de um
trago, pois ninguém é de ferro. Tão certo quanto o nascer do Sol no dia
seguinte eram os churrascos dominicais em sua garagem. Tinha olhos de águia e
sorriso de Mona Lisa. E era gente fina pra caralho...
Uma vez ajudou um amigo a
esconder seu carro. Disse que precisava por um tempo mantê-lo longe das ruas.
-
Mas não é roubado, né?
-
Não, não... Pode ficar tranquilo.
-
Não me arranja encrenca... Deixa ele ali na garagem.
-
Muito obrigado!
-
Mas todo Domingo tu tem que dar um jeito! Eu tenho que ter meu churrasquinho,
não é? – começou a rir.
-
Perfeito!
Só que na garagem havia o carro
da família. O amigo dele arrombou o carro da família para poder manobrá-lo,
afim de que os dois carros pudessem caber na pequena garagem usada para
reuniões familiares. Ele arrombou,
ligou, tirou da garagem, estacionou fora e saiu; entrou no dele, ligou, colocou
na garagem e saiu; voltou a entrar no carro da família, ligou e estacionou
apertadamente, fazendo um ficar atrás do outro na garagem do churrasco.
Como dissemos, era gente fina.
Certo dia adoeceu. Câncer. Os
médicos diziam que ele não conseguiria sobreviver por muito tempo. Se a químio
resolvesse algo, teria que viver entubado, praticamente. Quando ele foi avisado
pelos profissionais da saúde sobre seu prognóstico, ele virou o rosto para a
parede em silêncio e abanou com a mão pedindo para saírem. Fazia muito que não
tinha seu churrasco, seus gritos e risadas com os amigos e sua cerveja gelada
nos finais de semana de Inter contra algum time do Sudeste do Brasil. Apesar da
situação: sem voz, fraco, magro e anêmico, fazia questão de ver seu futebol na
televisão do quarto do hospital. Porém, não conseguia mais comemorar o gol com
o mesmo entusiasmo que antes. Agora, um leve acenar da cabeça satisfeito pagava
a dívida.
Dois meses se passaram. Os
médicos haviam mudado de prognóstico como uma mulher muda de sapatos.
“Instável” passou a ser o seu apelido. Talvez mais duas semanas. O Inter havia
se classificado para a final do Gauchão. Era uma final contra o Grêmio. Todo
gremista ou colorado de respeito sabe que Gre-Nal na final de um Gauchão é
guerra, tchê. Peleia braba. De faca! Mas ele andava muito fraco para
essas coisas... É, não seria a mesma coisa.
Apesar de Domingo ser a final, os
médicos disseram que ele não passaria de Sábado. Na tarde de Domingo, todos
estavam inseguros e temerosos pela notícia. Mas ele continuava “instável”.
Aliás, para alguém com esse quadro, ele até ficou “estável”. Filhos, primos,
amigos distantes foram visitá-lo para conversarem. Para se despedirem, de fato.
Um último momento em busca daquela lembrança que só quem viveu entende. Aquele
desespero de saber que o melhor filme que vimos está chegando ao fim. Um amigo
seu estava contando da vida para ele. Parecia uma confissão: o amigo sentado na
cadeira de cabeça baixa e cotovelos apoiados nas pernas conversando e ele
deitado na cama, cheio de máscaras e tubos. De repente, ele se mexe. A mão fraca e balançante aponta para seu
amigo. Ele logo pega um lápis e uma folha de papel (método sugerido pelos
médicos para manterem uma comunicação entre ele) e entrega ao doente. Seu amigo
se espicha para poder ver melhor o que ele estava escrevendo.
-
Gol? – ele repete em voz alta. – Seu colorado filho da puta, tu aí morrendo e
se preocupando com a final do Gauchão?
Não houve resposta. Os olhos
cinza e brilhantes do “colorado filho da puta” olhavam para seu amigo como se
fosse um último pedido. Uma súplica. Então, seu amigo ligou a televisão. Estava
no segundo tempo. Jogo empatado: 1 X 1.
No outro dia, a notícia dos
médicos faz todos os telefones da família gritarem:
-
Morreu?
-
Então, morreu?
-
Como assim “morreu” !?
-
Hein?
No velório, mistura de conversa
sobre o falecido e sobre a arbitragem do Gre-Nal. Alguns comentários eram sobre
a força do homem; outros, sobre a teimosia e sobre o fanatismo. Os médicos
haviam dito que ele não passaria de Sábado. Domingo estava vivo e alegre vendo
seu time ser campeão do Gauchão. Segunda-feira, às quatro horas da manhã,
estava morto. Se ele era ou não o colorado mais fanático que eu já vi, não sei,
só sei que a Morte não liga para gostos políticos, religiosos e futebolísticos. Antes de ser enterrado, conforme
escrito no testamento, seu caixão foi coberto com a bandeira do Internacional
ao som do Hino do clube.
“Glória ao desporto nacional...”
Matheus I. Mazzochi
terça-feira, dezembro 11
As Incríveis Histórias da Odisseia Kung Fu - Parte I
Era
um dia chuvoso como aquele que nunca acaba. Era como aquele que não dava
vontade de olhar para a janela e ver o cinza dos céus e seu reflexo na água.
Estava tão nublado e chuvoso que mal consigo lembrar da data. O que importa é
que foi nesse dia em que ele recebera a visita de um forasteiro que batera em sua
porta de madeira. O homem estava encharcado e precisava de ajuda. Ele ficara
surpreso, mas o ajudou, claro! Apresentou os chinelos, a toalha e deixou as
coisas do estranho no local mais quente da casa: a sua cama. Ofereceu-lhe um chá
quente para a alma. O estranho aceitou sem abrir seus olhos. Estava com
muito frio para tanto, talvez. A água fora aquecida e as folhas das
plantas que se banhavam de sol, quando ele aparecia, na janela, ficaram boiando como mulheres tomando banho de sol sobre uma cama inflável na água. Feito o chá, os dois
começaram a tomar em silêncio.
O estranho ainda não abrira os olhos. Deveria estar com muito frio ou não queria que a fumaça quente entrasse neles. Após os primeiros goles, alma quente e peito aquecido, o estranho agradecera a gentileza e dissera vir de muito longe para falar com ele.
Surpresa.
O anfitrião perguntara o motivo. O estranho homem tomou um gole do chá como se não estivesse ouvido. Calmamente descansou a xícara e pressionou seus lábios, lambendo o que restara do chá.
- Sou discípulo de um respeitoso mestre Kung Fu à procura de uma pessoa boa o bastante.
A-há! Então ele era chinês! Por isso não abria os olhos! Pensou ele sem demonstrar sua fútil preocupação.
Matheus I. Mazzochi
O estranho ainda não abrira os olhos. Deveria estar com muito frio ou não queria que a fumaça quente entrasse neles. Após os primeiros goles, alma quente e peito aquecido, o estranho agradecera a gentileza e dissera vir de muito longe para falar com ele.
Surpresa.
O anfitrião perguntara o motivo. O estranho homem tomou um gole do chá como se não estivesse ouvido. Calmamente descansou a xícara e pressionou seus lábios, lambendo o que restara do chá.
- Sou discípulo de um respeitoso mestre Kung Fu à procura de uma pessoa boa o bastante.
A-há! Então ele era chinês! Por isso não abria os olhos! Pensou ele sem demonstrar sua fútil preocupação.
-
Passei por portas que jamais conseguiria calcular quantas de tantas que foram, mas
apenas uma deu-me abrigo.
Mal
sabia o china que ele abrira a porta para reclamar das batidas, pois o haviam acordado do sono gostoso que só existe quando chove.
-
Meus agradecimentos. – levemente elevou a xícara de chá, como se fosse fazer um
brinde à atitude do rapaz.
Ele
sorriu um sorriso amarelo.
O
chinês terminou de tomar o chá e perguntou se o rapaz gostaria de embarcar em
uma viagem que mudaria sua vida. Ele achou uma boa, visto que estava tudo na
mesma merda. O china quase abriu um de seus olhos.
-
Então eu vou lhe contar o que deverás fazer.
E
como se todo o peso do mundo caísse sobre seus ombros, ele olhara por cima dos
ombros do chinês para a cama que estava atrás e pensara que aquele fora o
último cochilo monótono de sua vida.
Matheus I. Mazzochi
terça-feira, novembro 27
Diário de Campo
Diário de Campo.
Quarta-feira, primeiro dia.
7 horas da manhã.
Chovendo...
Desci do ônibus mais pastoso que cuspe de bêbado. Dia de chuva na cidade é assim. Já deveria estar acostumado. Aquele bafo dentro e as pessoas inteligentes fechando a janela para não entrar água da chuva. Morrem sufocadas. Isso quando não morrem por terem pegado algum vírus ou bactéria pela situação. Pessoas. Fenômenos incoerentes e hipócritas que vivem se metamorfoseando durante sua duração existencial nesse plano. Nossa, isso foi profundo. Provavelmente li em algum lugar. Em uma revista velha na barbearia. Mas eu estava falando do ônibus. É sempre assim, apesar de dizerem que vai mudar. Ano de eleição. Pergunto como vai mudar se não mudou nem o Prefeito. Cheguei no meu local de estágio. Atravessei a rua correndo. Olhei para os dois lados, para cima e para trás antes de atravessar a rua. Nunca se sabe se vai cair um piano ou alguém vai te pegar pelas costas e te assaltar no contra pé. Eu vivo na cidade. É isso aí, neném. Uma hora tão sorrindo, noutra hora tu tá sem carteira e noutra hora a passagem subiu. De novo. É tão regular quanto menstruação. Bem que podiam engravidar com a cidade, para não dizer outra coisa. Atravessei com segurança e decidi caminhar até o prédio onde ia começar minha observação. O lugar era escuro e sombrio. Não pagaram a conta de luz. Típico local para se cometer um assassinato. É... Eu conheço exatamente o tipinho. Qualquer canto escuro é o palco para o açougueiro. Nada contra açougueiros. Gosto deles. Menos quando pegam a carne com a mão suada. Encontrei uma mulher de jaleco e me apresentei. Ela virou-se da mesma forma que as mulheres nos filmes se viram quando são chamadas, só que sem aquela beleza sensual e a trilha sonora. Ela estava de mal humor. Dava para ver pelo seu cabelo. Uma mulher com aquele cabelo só poderia estar de mal humor. Mal cuidado. Pensei que ela também tivesse pegado um ônibus para chegar ali. Ela disse um monte de coisas incompreensíveis. Falava rápido demais e para dentro. Acho que tinha pedido para eu esperar. Ou perguntou meu nome, não sei. Fiquei quieto olhando para ela com cara de durão. Aquela cara do Clint Eastwood em seus filmes. Ele é durão. Só que eu mais parecia um cachorro mostrando os dentes. Ela nem deu bola. Me ignorou. Na verdade, se fez de difícil. As mulheres fazem isso. Acho que gostou de mim. Ela era corcunda e mancava ao caminhar. Babava e oscilava o tom da fala. Também repetia o que dizia. Sanduíche-iche-iche. Ecolalia, dizem. Eu tinha estudado. Precisava, senão iria pegar recuperação na única cadeira que não tinha prova de recuperação. Ninguém nunca pegara e o professor havia me ajudado. Cara legal. Ele ia gostar de analisar essa mulher. Depois fui descobrir que era a minha supervisora do local de estágio. Pois é. É a vida: ela dá voltas e é bonita, é bonita, é bonita...
Matheus Iglessias Mazzochi
Quarta-feira, primeiro dia.
7 horas da manhã.
Chovendo...
Desci do ônibus mais pastoso que cuspe de bêbado. Dia de chuva na cidade é assim. Já deveria estar acostumado. Aquele bafo dentro e as pessoas inteligentes fechando a janela para não entrar água da chuva. Morrem sufocadas. Isso quando não morrem por terem pegado algum vírus ou bactéria pela situação. Pessoas. Fenômenos incoerentes e hipócritas que vivem se metamorfoseando durante sua duração existencial nesse plano. Nossa, isso foi profundo. Provavelmente li em algum lugar. Em uma revista velha na barbearia. Mas eu estava falando do ônibus. É sempre assim, apesar de dizerem que vai mudar. Ano de eleição. Pergunto como vai mudar se não mudou nem o Prefeito. Cheguei no meu local de estágio. Atravessei a rua correndo. Olhei para os dois lados, para cima e para trás antes de atravessar a rua. Nunca se sabe se vai cair um piano ou alguém vai te pegar pelas costas e te assaltar no contra pé. Eu vivo na cidade. É isso aí, neném. Uma hora tão sorrindo, noutra hora tu tá sem carteira e noutra hora a passagem subiu. De novo. É tão regular quanto menstruação. Bem que podiam engravidar com a cidade, para não dizer outra coisa. Atravessei com segurança e decidi caminhar até o prédio onde ia começar minha observação. O lugar era escuro e sombrio. Não pagaram a conta de luz. Típico local para se cometer um assassinato. É... Eu conheço exatamente o tipinho. Qualquer canto escuro é o palco para o açougueiro. Nada contra açougueiros. Gosto deles. Menos quando pegam a carne com a mão suada. Encontrei uma mulher de jaleco e me apresentei. Ela virou-se da mesma forma que as mulheres nos filmes se viram quando são chamadas, só que sem aquela beleza sensual e a trilha sonora. Ela estava de mal humor. Dava para ver pelo seu cabelo. Uma mulher com aquele cabelo só poderia estar de mal humor. Mal cuidado. Pensei que ela também tivesse pegado um ônibus para chegar ali. Ela disse um monte de coisas incompreensíveis. Falava rápido demais e para dentro. Acho que tinha pedido para eu esperar. Ou perguntou meu nome, não sei. Fiquei quieto olhando para ela com cara de durão. Aquela cara do Clint Eastwood em seus filmes. Ele é durão. Só que eu mais parecia um cachorro mostrando os dentes. Ela nem deu bola. Me ignorou. Na verdade, se fez de difícil. As mulheres fazem isso. Acho que gostou de mim. Ela era corcunda e mancava ao caminhar. Babava e oscilava o tom da fala. Também repetia o que dizia. Sanduíche-iche-iche. Ecolalia, dizem. Eu tinha estudado. Precisava, senão iria pegar recuperação na única cadeira que não tinha prova de recuperação. Ninguém nunca pegara e o professor havia me ajudado. Cara legal. Ele ia gostar de analisar essa mulher. Depois fui descobrir que era a minha supervisora do local de estágio. Pois é. É a vida: ela dá voltas e é bonita, é bonita, é bonita...
Ela voltou e fez um gesto pro lado com a cabeça que eu achei
que ela havia deslocado. Na verdade mexeu pro lado pedindo para eu segui-la.
Sou rápido nas observações. Mais rápido que notícia ruim. Nada escapa aos meus olhos. Às vezes, fico tonto,
mas logo me acostumo. Contou-me do caso. Paciente fodido pra caralho. Senti pena, mas não
chorei. Sou um cara durão. O nome dele era horrível. Coitado. Não posso dizer. A tal da ética.
Acho bacana ser ético. Dá moral e traz um gosto único na alma quando burlamos
algo. Adrenalina. Perigo. Tensão. Adoro tudo isso. Por isso, pego ônibus. É... Dizem que vão aumentar de novo a passagem. Essa tal de menstruação...
Matheus Iglessias Mazzochi
domingo, novembro 18
Xangri-lá
O Sol se põe no Ocidente.
Se põe no Ocidente,
Para poder se curvar.
Ele reina durante o dia
E depois se põe no Ocidente,
No Ocidente, para a noite começar.
O Rei que reuinou por doze horas
- Meio-dia, meia vida -
Se curva no Ocidente.
Como se algo maior fosse
Vir do Oriente.
Maior que o Sol
Que se põe no Ocidente.
Até mesmo o Astro Rei,
Que nos dá vida,
Que nos dá energia,
Que nos tira da escuridão,
Tem o seu momento de se curvar.
E isso não é feio não.
A humildade está no céu.
Está no Universo.
Tribunal onde sou réu.
Estrofe onde sou verso,
O Sol se põe no Ocidente,
Venerando o Oriente
E a noite que está para chegar.
Amanhã ele volta.
Amanhã ele volta.
Para nos ensinar
De novo.
Matheus I. Mazzochi
(13.02.2012) Em viagem para Xangri-lá
Se põe no Ocidente,
Para poder se curvar.
Ele reina durante o dia
E depois se põe no Ocidente,
No Ocidente, para a noite começar.
O Rei que reuinou por doze horas
- Meio-dia, meia vida -
Se curva no Ocidente.
Como se algo maior fosse
Vir do Oriente.
Maior que o Sol
Que se põe no Ocidente.
Até mesmo o Astro Rei,
Que nos dá vida,
Que nos dá energia,
Que nos tira da escuridão,
Tem o seu momento de se curvar.
E isso não é feio não.
A humildade está no céu.
Está no Universo.
Tribunal onde sou réu.
Estrofe onde sou verso,
O Sol se põe no Ocidente,
Venerando o Oriente
E a noite que está para chegar.
Amanhã ele volta.
Amanhã ele volta.
Para nos ensinar
De novo.
Matheus I. Mazzochi
(13.02.2012) Em viagem para Xangri-lá
terça-feira, novembro 6
Os Dois Cavaleiros que Encararam a Verdade.
Era uma vez, dois cavaleiros (Ou melhor seria "eram duas vezes um cavaleiro"?).
Os dois cavaleiros viviam e desbravavam juntos o mundo desconhecido. Um salvara a vida do outro quando foram pegos em uma emboscada de ladrões que se escondiam na floresta e desde então ficaram amigos. Inúmeras oportunidades surgiram para retribuírem à gentileza do ato nobre da salvação e para a balança ficar ao nível da igualdade, mas nunca a amizade fora posta à prova como nesta vez. Eram dois cavaleiros que dividiam tudo: segredos, confissões, medos, alegrias, sonhos, decepções, passado, presente e futuro.
Até que um dia encontraram um velho.
O Velho vestia uma longa capa vermelha e possuía um capuz que impedia seu rosto enrugado de ser visto, deixando, apenas, aparecer sua boca, onde escondia seis ou sete dentes amarelados. Os dois homens pararam seus cavalos e perguntaram o que um senhor como ele estava fazendo pelos bosques perigosos. O Velho dissera estar procurando um tesouro há anos. Os nobres cavaleiros se olharam seriamente e depois de um breve momento de silêncio um deles perguntara que tipo de tesouro era. Mostrando seus sete dentes (Eram sete mesmo! Vejam só!) no que seria um sorriso (se tivesse todos), o Velho dissera que era um tesouro muito especial, daqueles que se leva uma vida inteira para procurar, caso tenha sido perdido ou roubado.
O outro cavaleiro perguntara ao ancião se ele estava com fome ou com sede, mas o misterioso velhinho não conseguira escutar, pois seu companheiro havia perguntado se ele sabia onde estava o tesouro. O Velho respondeu que sabia, só que estava ficando cansado de tanto caminhar. O cavaleiro interessado olhou para seu companheiro sério e dissera que poderia dar carona. Seu amigo nada respondera, voltando-se a olhar para o banguela de olhos claros.
- Oh! Bem se vê que são nobres cavaleiros. - concluíra em voz alta o antigo homem, indo em direção ao cavalo para subir e aproveitar a generosa carona.
Foi assim que os dois cavaleiros mudaram seus rumos planejados e decidiram ajudar o estranho desconhecido na busca de seu tesouro. Um dos cavaleiros manteve-se em silêncio, sempre atento a olhar para os lados, temendo ser surpreendido por inimigos; o outro, que estava dando carona, ficava perguntando ao homem na busca de saber mais e mais sobre o tesouro que se valia a pena levar a vida inteira para procurar.
- Mas, bom senhor, de que tipo de tesouro estamos falando? - perguntara insistentemente o cavaleiro interessado.
- Daqueles que se leva uma vida inteira para procurar! - respondera o velho, todo sorridente e faceiro por não precisar mais caminhar.
- Isso eu entendi, mas há inúmeros tesouros que podemos largar tudo, até a vida, para encontrá-lo, mas depende de sua importância para quem o busca.
- Exatamente!
- E é isso que quero saber: é um baú de moedas, é uma filha raptada, um lote saqueado? O que seria esse tesouro tão importante?
- Não deixe que esse interesse baixe sua guarda, irmão. - alertara seriamente seu colega. - esta neblina é tão fechada e tenebrosa que mal conseguimos olhar para o que está a nossa frente.
O velho rira.
Com o passar do tempo da jornada desconhecida e sombria, o curioso cavaleiro ficara conversando com o velho senhor sobre sua busca, enquanto que seu amigo ficara em silêncio e na frente. A névoa, densa como a parede que encurrala, permitia que só as árvores mais próximas fossem vistas. O barulho das folhas secas e da terra mexida pelas patas dos cavalos era o único som, além do diálogo entre o ambicioso cavaleiro e seu carona,claro. A cor do cavalo branco do cavaleiro da frente era misturada pela névoa, dando a impressão de que o honroso homem estava flutuando pelo bosque. O contraste das sujas patas do cavalo de seu irmão de ordem atrás era a única preocupação, pois se tornaria alvo fácil de identificação. Desde que eles começaram a jornada, não tiveram tempo para limpar seus animais, apesar do cavalo de trás ser o mais sujo em comparação ao da frente. Até que acharam uma lagoa.
Vendo seu amigo mudar a rota em direção à lagoa, o cavaleiro perguntara o que estava acontecendo.
- Ele precisa de um pouco de água. - respondera seu irmão ao apear do cavalo.
- Mas e o tesouro? - retrucara, com o velho quieto sentado atrás dele.
O nobre cavaleiro olhara seu companheiro de cima para baixo e dissera:
- E o perigo? Pode ser perigoso continuar a seguir num caminho desconhecido, cansando nossos cavalos. Vamos aproveitar para limpar suas patas?
- Não entendi teu tom. - e virando-se para o velho. - Meu bom senhor, desculpe-me pelo comportamento de meu colega.
- Não,não! - rindo-se o velho - Acho que ele tem razão. E melhor: acho que está aqui meu maravilhoso tesouro!
Os olhos do cavaleiro brilharam. Não conseguindo conter sua luxúria, perguntara se era de fato verdade. O velho confirmara. O outro cavaleiro pouco escutara, pois estava ocupado verificando a área ao redor e voltando para passar uma água ao seu belo cavalo. Os dois desmontaram do cavalo. O velho homem andara em direção ao lago, com o cavaleiro o seguindo feito sombra, e, junto do outro cavaleiro, dissera ter encontrado o que tanto buscara.
- E o que é? Vamos! Diga-nos! - apressava o cavaleiro, que de tão ansioso, esquecera seu cavalo sujo ao lado da árvore. O pobre bicho andara lentamente até a lagoa para poder beber um pouco, visto que seu dono esquecera de deixá-lo mais por perto.
O velho em ar de suspense olhara para o outro cavaleiro e, com sorriso fechado de orelha a orelha, convidara:
- Venham. Está na lagoa.
Um olhara quase que caindo nela; o outro, virara-se com a mão na espada embainhada, temendo surpresas.
Estavam os três contemplando a lagoa. Aos poucos, a neblina ia se condensando e revelando uma infinita e maior lagoa. O reflexo dos três rostos podia ser visto.
- Estão vendo? - perguntara o velho.
Um cavaleiro mante-se a olhar os reflexos em silêncio, como se estivesse vendo aqueles rostos pela primeira vez; o outro, entretanto, ficara mais inquieto.
- Vendo o quê? Não há nada além de nossos reflexos, velho homem!
- Continuem vendo.
A lagoa mostrava o rosto do cavaleiro mudando exatamente como o de uma pessoa que se frustara e perdia a paciência.
- Meu bom homem, nós fizemos a maior gentileza em acolhe-lo e em dar-te companhia, segurança e transporte. Auxiliamos sua busca pelo seu tesouro que não existe! Poderia ter nos falado antes que era uma lagoa. Ainda bem que não fomos atacados!
- Estas escutando suas próprias palavras? - respondera seu colega, intrometendo-se. - Sabes muito bem que não o ajudamos esperando algo em troca. Não faz parte de nossa conduta e muito menos de nossas expectativas. Abrimos mão dessa vaidade quando selamos nosso juramento.
- Eu estou escutando minhas palavras, sim. Não vejo motivo de seres tão rude. Passamos perigo e tu não deves negar isso, pois estavas mais preocupado que todos nós! Desde o início não lhe agradara essa mudança de planos e não fizestes questão de ser gentil ao pobre velho! Sabes tanto quanto eu que isso é verdade e serás um mentiroso ao negar tudo!
- Não serei mentiroso, pois tudo o que falastes é verdade. Mas será que és tão honesto contigo mesmo ao ponto de me dizeres que não ajudou o velho por ele, mas por ti? Não fui eu quem ficara perguntando qual o tesouro e como ele era. Minha maior preocupação era se o pobre homem havia bebido ou comido e não se poderia partilhar o tesouro.
- Não acredito no estás me dizendo...
- Olhe para a lagoa,então! - terminara de falar seu companheiro.
O velho observara sorrindo a cena e decidira interromper assim que notara que tudo havia sido dito.
- Eu não só encontrei meu tesouro como o partilhei.
- E que diabos era esse tesouro, velho bobo? - perguntara o luxurioso cavaleiro, enquanto seu colega o observava com seus olhos tristes e decepcionados, como se estivesse conhecendo seu companheiro e confidente de anos, naquele exato momento.
- A verdade.
E ao dizer essas palavras, os dois cavaleiros notaram que o velho sumira em volto à neblina e que a lagoa estava tão espelhada e reluzente que a luz do sol refletia incendiantemente a armadura do cavaleiro triste e
as sujeiras na de seu antigo companheiro.
Matheus I. Mazzochi
Os dois cavaleiros viviam e desbravavam juntos o mundo desconhecido. Um salvara a vida do outro quando foram pegos em uma emboscada de ladrões que se escondiam na floresta e desde então ficaram amigos. Inúmeras oportunidades surgiram para retribuírem à gentileza do ato nobre da salvação e para a balança ficar ao nível da igualdade, mas nunca a amizade fora posta à prova como nesta vez. Eram dois cavaleiros que dividiam tudo: segredos, confissões, medos, alegrias, sonhos, decepções, passado, presente e futuro.
Até que um dia encontraram um velho.
O Velho vestia uma longa capa vermelha e possuía um capuz que impedia seu rosto enrugado de ser visto, deixando, apenas, aparecer sua boca, onde escondia seis ou sete dentes amarelados. Os dois homens pararam seus cavalos e perguntaram o que um senhor como ele estava fazendo pelos bosques perigosos. O Velho dissera estar procurando um tesouro há anos. Os nobres cavaleiros se olharam seriamente e depois de um breve momento de silêncio um deles perguntara que tipo de tesouro era. Mostrando seus sete dentes (Eram sete mesmo! Vejam só!) no que seria um sorriso (se tivesse todos), o Velho dissera que era um tesouro muito especial, daqueles que se leva uma vida inteira para procurar, caso tenha sido perdido ou roubado.
O outro cavaleiro perguntara ao ancião se ele estava com fome ou com sede, mas o misterioso velhinho não conseguira escutar, pois seu companheiro havia perguntado se ele sabia onde estava o tesouro. O Velho respondeu que sabia, só que estava ficando cansado de tanto caminhar. O cavaleiro interessado olhou para seu companheiro sério e dissera que poderia dar carona. Seu amigo nada respondera, voltando-se a olhar para o banguela de olhos claros.
- Oh! Bem se vê que são nobres cavaleiros. - concluíra em voz alta o antigo homem, indo em direção ao cavalo para subir e aproveitar a generosa carona.
Foi assim que os dois cavaleiros mudaram seus rumos planejados e decidiram ajudar o estranho desconhecido na busca de seu tesouro. Um dos cavaleiros manteve-se em silêncio, sempre atento a olhar para os lados, temendo ser surpreendido por inimigos; o outro, que estava dando carona, ficava perguntando ao homem na busca de saber mais e mais sobre o tesouro que se valia a pena levar a vida inteira para procurar.
- Mas, bom senhor, de que tipo de tesouro estamos falando? - perguntara insistentemente o cavaleiro interessado.
- Daqueles que se leva uma vida inteira para procurar! - respondera o velho, todo sorridente e faceiro por não precisar mais caminhar.
- Isso eu entendi, mas há inúmeros tesouros que podemos largar tudo, até a vida, para encontrá-lo, mas depende de sua importância para quem o busca.
- Exatamente!
- E é isso que quero saber: é um baú de moedas, é uma filha raptada, um lote saqueado? O que seria esse tesouro tão importante?
- Não deixe que esse interesse baixe sua guarda, irmão. - alertara seriamente seu colega. - esta neblina é tão fechada e tenebrosa que mal conseguimos olhar para o que está a nossa frente.
O velho rira.
Com o passar do tempo da jornada desconhecida e sombria, o curioso cavaleiro ficara conversando com o velho senhor sobre sua busca, enquanto que seu amigo ficara em silêncio e na frente. A névoa, densa como a parede que encurrala, permitia que só as árvores mais próximas fossem vistas. O barulho das folhas secas e da terra mexida pelas patas dos cavalos era o único som, além do diálogo entre o ambicioso cavaleiro e seu carona,claro. A cor do cavalo branco do cavaleiro da frente era misturada pela névoa, dando a impressão de que o honroso homem estava flutuando pelo bosque. O contraste das sujas patas do cavalo de seu irmão de ordem atrás era a única preocupação, pois se tornaria alvo fácil de identificação. Desde que eles começaram a jornada, não tiveram tempo para limpar seus animais, apesar do cavalo de trás ser o mais sujo em comparação ao da frente. Até que acharam uma lagoa.
Vendo seu amigo mudar a rota em direção à lagoa, o cavaleiro perguntara o que estava acontecendo.
- Ele precisa de um pouco de água. - respondera seu irmão ao apear do cavalo.
- Mas e o tesouro? - retrucara, com o velho quieto sentado atrás dele.
O nobre cavaleiro olhara seu companheiro de cima para baixo e dissera:
- E o perigo? Pode ser perigoso continuar a seguir num caminho desconhecido, cansando nossos cavalos. Vamos aproveitar para limpar suas patas?
- Não entendi teu tom. - e virando-se para o velho. - Meu bom senhor, desculpe-me pelo comportamento de meu colega.
- Não,não! - rindo-se o velho - Acho que ele tem razão. E melhor: acho que está aqui meu maravilhoso tesouro!
Os olhos do cavaleiro brilharam. Não conseguindo conter sua luxúria, perguntara se era de fato verdade. O velho confirmara. O outro cavaleiro pouco escutara, pois estava ocupado verificando a área ao redor e voltando para passar uma água ao seu belo cavalo. Os dois desmontaram do cavalo. O velho homem andara em direção ao lago, com o cavaleiro o seguindo feito sombra, e, junto do outro cavaleiro, dissera ter encontrado o que tanto buscara.
- E o que é? Vamos! Diga-nos! - apressava o cavaleiro, que de tão ansioso, esquecera seu cavalo sujo ao lado da árvore. O pobre bicho andara lentamente até a lagoa para poder beber um pouco, visto que seu dono esquecera de deixá-lo mais por perto.
O velho em ar de suspense olhara para o outro cavaleiro e, com sorriso fechado de orelha a orelha, convidara:
- Venham. Está na lagoa.
Um olhara quase que caindo nela; o outro, virara-se com a mão na espada embainhada, temendo surpresas.
Estavam os três contemplando a lagoa. Aos poucos, a neblina ia se condensando e revelando uma infinita e maior lagoa. O reflexo dos três rostos podia ser visto.
- Estão vendo? - perguntara o velho.
Um cavaleiro mante-se a olhar os reflexos em silêncio, como se estivesse vendo aqueles rostos pela primeira vez; o outro, entretanto, ficara mais inquieto.
- Vendo o quê? Não há nada além de nossos reflexos, velho homem!
- Continuem vendo.
A lagoa mostrava o rosto do cavaleiro mudando exatamente como o de uma pessoa que se frustara e perdia a paciência.
- Meu bom homem, nós fizemos a maior gentileza em acolhe-lo e em dar-te companhia, segurança e transporte. Auxiliamos sua busca pelo seu tesouro que não existe! Poderia ter nos falado antes que era uma lagoa. Ainda bem que não fomos atacados!
- Estas escutando suas próprias palavras? - respondera seu colega, intrometendo-se. - Sabes muito bem que não o ajudamos esperando algo em troca. Não faz parte de nossa conduta e muito menos de nossas expectativas. Abrimos mão dessa vaidade quando selamos nosso juramento.
- Eu estou escutando minhas palavras, sim. Não vejo motivo de seres tão rude. Passamos perigo e tu não deves negar isso, pois estavas mais preocupado que todos nós! Desde o início não lhe agradara essa mudança de planos e não fizestes questão de ser gentil ao pobre velho! Sabes tanto quanto eu que isso é verdade e serás um mentiroso ao negar tudo!
- Não serei mentiroso, pois tudo o que falastes é verdade. Mas será que és tão honesto contigo mesmo ao ponto de me dizeres que não ajudou o velho por ele, mas por ti? Não fui eu quem ficara perguntando qual o tesouro e como ele era. Minha maior preocupação era se o pobre homem havia bebido ou comido e não se poderia partilhar o tesouro.
- Não acredito no estás me dizendo...
- Olhe para a lagoa,então! - terminara de falar seu companheiro.
O velho observara sorrindo a cena e decidira interromper assim que notara que tudo havia sido dito.
- Eu não só encontrei meu tesouro como o partilhei.
- E que diabos era esse tesouro, velho bobo? - perguntara o luxurioso cavaleiro, enquanto seu colega o observava com seus olhos tristes e decepcionados, como se estivesse conhecendo seu companheiro e confidente de anos, naquele exato momento.
- A verdade.
E ao dizer essas palavras, os dois cavaleiros notaram que o velho sumira em volto à neblina e que a lagoa estava tão espelhada e reluzente que a luz do sol refletia incendiantemente a armadura do cavaleiro triste e
as sujeiras na de seu antigo companheiro.
Matheus I. Mazzochi
terça-feira, outubro 9
Não Existe Gaúcho Homossexual.
"Coojornal - Qual a sua explicação para o veadismo que campeia no Rio Grande?
AB- Não quero falar mal, mas tem entrado muito uruguaio no Rio Grande ultimamente... E é preciso entender que gaúcho marica sempre houve. Tem gaúcho aí sem bigode e de costeleta curta como estribo de anão que nem por isso é veado. Se bem que tá ALI. Marica é marica. Nem todo mundo corta unha com facão. Agora, esse negócio de homossexualismo é frescura. Uma vez um índio velho que eu tava analisando disse que tinha se apaixonado por mim. A tal de transferência. O Freud disse que devia se deixar sempre um revólver carregado à mão para os casos extremos. E o índio velho era macho de três culhões, tchê. Seu perfume era francês: o Chirac depois do cuper. Disse que tava apaixonado por mim. Eu disse "Não tá". Ele disse "Tou". Eu disse "Te fecha". Ele disse "Mas é verdade". Eu disse "Quer parar de falar e prestar atenção na música? Tu tá pisando nos meus pés". Mas um mês depois tava curado. É verdade que insistiu em ficar com três cabelos do meu peito para guardar num livro do Vinicius. Mas hoje tá emprenhando até china de delegado. Não existe gaúcho homossexual. Existe bageense que não deu certo."
Veríssimo, Luís Fernando: Todas as Histórias do Analista de Bagé.
Ed.:Objetiva, 2002
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